Carnavalescos escondidos

Lembram da imponente cerimônia de abertura do Pan do Rio? Milhares de artistas, músicos e dançarinos que deram um belo espetáculo para dar início ao maior evento esportivo das Américas.

A concepção de todo aquele espetáculo, inclusive da tocha, foi da carnavalesca Rosa Magalhães, da Imperatriz Leopoldinense. A mídia, inclusive a internet, abordou o assunto e destacou a participação da artista, que foi inclusive condecorada na Câmara Municipal da cidade do Rio de Janeiro pelo trabalho.

Já na Semana Farroupilha, o ClicRBS e o novo portal da Zero Hora deram a abordagem esperada para o evento, com direito a blogs e sites especiais. Porém, esqueceram dos carnavalescos que criaram os carros alegóricos do desfile.

Sérgio Peixoto, Mano Brum e Guaraci Feijó foram citados sem destaque, e por pedido do Movimento Tradicionalista Gaúcho foram chamados de artistas plásticos e não carnavalescos. Sérgio Peixoto, um dos maiores carnavalescos e autores de enredo da história do carnaval de Porto Alegre, foi entitulado, em uma das matérias de “Gestor de Operações” dos desfiles.

O site oficial do evento, sequer cita a participação de Brum, Feijó e Peixoto na criação e concepção dos carros, que na oportunidade, além de serem puxados por tratores, são chamados de carros temáticos e não carros alegóricos.

Qual será o motivo da birra do MTG com o carnaval? É inequívoco dizer que é preconceito. O carnaval é uma festa genuinamente negra. O samba, desambarcou no Brasil nos tombadilhos dos navios negreiros, assim como os Lanceiros Negros, massacrados pelo governo imperial e ludibriados pela promessa de liberdade dada por Davi Canabarro ao fim da Revolução Farroupilha

Confira este vídeo da Minissérie A Casa das Sete Mulheres, da Rede Globo. A cena mostra o embate desigual entre as armas de fogo dos imperiais contra as lanças dos negros, iludidos pelo sonho de liberdade.

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